Morre Álvaro de Moya: Confira uma entrevista Exclusiva e Inédita

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Morre Álvaro de Moya, uma grande perda para nós, amantes das artes visuais. Ele tinha 87 anos, e era um grande nome como desenhista, empreendedor, jornalista, produtor e professor; considerado inclusive por alguns, como o maior especialista em histórias em quadrinhos do país.

Conforme postamos há sete dias, ele havia sofrido um AVC, e infelizmente seu estado de saúde era grave, sendo assim internado na UTI do hospital São Paulo. Ele teria um livro lançado no próximo dia 20 pela Editora Criativo,  intitulado EISNER/MOYA, e que por motivos óbvios foi cancelado. Nos últimos dias ele, inclusive, havia tido uma melhora, com estado de saúde estável; mas, infelizmente não resistiu e veio nos deixar nesta presente data.

Como todo grande ser humano nos deixa um legado, ele não fez diferente; nos deixou um exemplo de pioneirismo, bom humor, e muita paixão pela arte e a comunicação.  Seus livros, seu exemplo e sua experiência de vida ficarão registrados nos anais da história, e com certeza irão continuar inspirando muita gente.

Inclusive, por intermédio de Carlos Rodrigues, nós do Desenho Online havíamos até conseguido uma entrevista exclusiva com ele, mas que por força maior não pode ser respondida na íntegra, sendo (5 de 13 questões); entretanto, como eu não imaginava ter sua perda antes de concluir esta entrevista, gostaria de agradecê-lo por dedicar parte do seu tempo em respondê-la, onde for que esteja. E ainda digo mais,  foi a menor e mais estimável entrevista que conseguimos; afinal, estamos falando de um mestre. Confira a seguir.

 

Entrevista exclusiva com Álvaro de Moya

É com muita honra que trazemos, hoje, uma entrevista com o grande Álvaro de Moya, que é considerado por muitos o maior especialista em histórias em quadrinhos do Brasil. Suas múltiplas habilidades o fizeram atuar profissionalmente como escritor, diretor de cinema e de televisão, como jornalista, produtor, professor e ilustrador.

Moya foi um dos organizadores da Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos (em 1951), e colaborou com enciclopédias de quadrinhos editadas na Espanha, Estados Unidos, França e Itália. Inaugurou a TV Tupi e a TV Bandeirantes, e trabalhou como diretor na TV Excelsior, lugar onde desenvolveu conceitos que, até hoje, ainda são utilizados pela TV. Representou o Brasil em diversos congressos internacionais sobre quadrinhos, e suas ilustrações já foram capa de revistas da Disney pela Editora Abril; fez charges para o jornal O Tempo, storyboards para a TV Tupi, entre outros trabalhos.

Com quase uma dezena de livros na bagagem, Moya vem compartilhando seus conhecimentos, e seu talento foi agraciado, inclusive, com o Troféu HQ Mix (1989-2016), e com o prêmio Angelo Agostini (1986-2016) como Mestre do Quadrinho Nacional, e também foi laureado na televisão, recebendo diversos prêmios. Vamos, então, à entrevista!

 

Desenho Online – Nome completo, idade, hobbie e ocupações.

Moya – Álvaro de Moya, 86 anos, hobby: trabalho, continuo escrevendo, organizando exposições, fazendo palestras, tumultuando no pedaço!

 

Desenho Online – Como começou sua carreira?

Moya – Comecei como desenhista assistente do artista João Gitahy, em 1947. Há setenta anos. Depois, fui chargista e ilustrador no jornal O Tempo, em 1951. Em setembro de 1950, desenhei os letreiros do show de inauguração da TV Tupi, a quarta televisão do mundo, após a NBC e BBC.

 

Desenho OnlineQue a comunicação e a arte são as vias do seu talento, isso é evidente, mas parece que também há uma boa dose de ousadia na sua história, e que também acredito ter lhe levado a tão longe como profissional. Mas, o que de fato acredita ter feito Álvaro de Moya ser quem é hoje como profissional?

Moya – Antes de aprender a ler e escrever, lia quadrinhos e ia ao cinema. Comecei com Flash Gordon, de Alex Raymond, e o filme Frankenstein, com Boris Karloff. Aprendi a ler balõezinhos de quadrinhos e legendas de fitas de Hollywood. Aprendi inglês, italiano, francês e espanhol ouvindo o som da Sétima Arte.

 

Desenho OnlineEm 1951, você, juntamente com Jayme Cortez, Syllas Roberg, Reinaldo de Oliveira e Miguel Penteado fizeram a primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos, em São Paulo, um pioneirismo que deu largada a uma série exposições por todo o mundo, principalmente ao mostrar que os quadrinhos, quando bem feitos, são verdadeiras obras de arte. Conte-nos um pouco de como nasceu esse projeto e como ele influenciou o meio a partir daquele período.

Moya – Eu era o mais jovem e mais irresponsável da turma e tive a ideia de pedir originais, para aprender com os mestres. Afirmei que faríamos uma exposição de arte no Brasil. Um dos artistas — não me lembro qual — disse que era a primeira vez que iam pendurar na parede um desenho seu. Vimos que era a primeira vez… que o mundo veria uma exposição de comics.

 

Desenho OnlineDos cinco parceiros envolvidos nesse projeto, quatro já nos deixaram, infelizmente. Poderia nos contar brevemente algo de especial sobre cada um deles?

Moya – Cortez era nosso mestre na arte do desenho, Syllas Roberg era o escritor que nos levou à literatura, Reinaldo de Oliveira, mestre nas artes gráficas, e Miguel Penteado, um operário com formação de militância política. Eu descobri que, para escrever quadrinhos, era preciso seguir os mestres da literatura, para fazer histórias em quadrinhos, era preciso seguir os grandes diretores de cinema.

 

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A quem diga que nada é por acaso, mas achei essa última questão e resposta que ele deu, um tanto quanto curiosas para esta data…

Descanse em paz, Álvaro de Moya.

 

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