Os vencedores do BIC Art Master já foram divulgados! E mais que dar os parabéns, venho aqui falar mais sobre os critérios de avaliação, e principalmente dos bastidores de uma participação.
Participar de um concurso artístico é colocar uma parte de nós diante de um olhar externo. É apresentar horas de trabalho, escolhas técnicas, estudos, experiências e, principalmente, uma maneira particular de interpretar o mundo por meio da arte.
Minha participação no BIC Art Master 2026 foi uma dessas experiências. Hoje, quero compartilhar um pouco do meu trabalho e, também, algumas reflexões sobre o que acontece nos bastidores de um concurso de desenho, especialmente quando falamos sobre avaliação artística.

Antes de tudo, acredito na qualidade do desenho que apresentei. Tenho consciência das minhas escolhas, do trabalho que desenvolvi e do nível artístico que busco alcançar. Naturalmente, como qualquer artista que se dedica seriamente ao que faz, também gostaria de ver meu trabalho reconhecido entre os vencedores. Dessa vez, porém, o resultado não foi esse.
E tudo bem. Isso não significa que não existam questões interessantes a serem discutidas.
Ao longo da minha trajetória, além de participar de concursos, também organizei mais de 13 concursos artísticos, aqui em nosso site. Essa experiência me permitiu compreender mais uma vez que existe uma diferença importante entre produzir uma obra, avaliá-la como artista e julgá-la dentro de uma competição com regras, critérios, prazos e uma comissão avaliadora.
Quem já organizou um concurso sabe que o resultado final não depende de uma única variável.
A primeira questão é compreender que qualidade artística e resultado competitivo não são necessariamente a mesma coisa.
Uma obra pode apresentar excelente domínio técnico, composição consistente, criatividade, personalidade e um nível de execução admirável. Ainda assim, isso não garante que ela será escolhida como vencedora. O resultado depende também da maneira como os critérios estabelecidos são interpretados e aplicados, da proposta específica da competição e da relação entre os trabalhos apresentados.
Isso não significa que a qualidade deixe de importar. Significa que a avaliação acontece dentro de um contexto.
Outro aspecto importante é a subjetividade dos jurados. Mesmo quando existem critérios objetivos, cada avaliador possui uma trajetória, referências visuais, experiências profissionais e uma maneira particular de perceber a arte. Dois profissionais competentes podem observar o mesmo desenho e atribuir pesos diferentes à composição, à originalidade, à técnica, à expressividade ou à adequação ao tema; e que pode até mesmo destoar da preferência de quem realmente encabeça o concurso. E como regra é regra, há que segui-la por uma questão de organização, e não pela preferência pessoal.
Essa diferença de percepção não significa, necessariamente, que alguém esteja errado. Mas ajuda a explicar por que a avaliação artística pode produzir resultados diferentes daqueles que os próprios participantes ou a organização imaginavam.
Também precisamos considerar que nem sempre compreendemos os critérios da mesma maneira que a organização pretendeu comunicá-los. O artista interpreta as regras a partir de suas próprias referências e expectativas. O júri, por sua vez, realiza sua análise a partir do regulamento e de sua compreensão da proposta. Entre essas duas perspectivas, podem existir diferenças de interpretação.
É justamente aí que surgem muitas das frustrações.
Quem participa de um concurso naturalmente cria expectativas. Às vezes, acredita que determinado recurso técnico terá grande peso na avaliação. Em outras situações, imagina que o realismo, a quantidade de detalhes ou a complexidade da execução serão os fatores decisivos.
Entretanto, arte não é sinônimo de realismo.
O realismo é uma linguagem artística extraordinária, que exige observação, conhecimento de valores tonais, domínio de luz e sombra, anatomia, perspectiva e muitos outros recursos. Mas ele não é a única medida possível de qualidade artística.
Há trabalhos que se destacam pela composição, outros pela originalidade, pela capacidade de transmitir uma ideia, pela escolha das cores, pela força narrativa ou pela maneira como transformam uma proposta aparentemente simples em algo memorável.
Um desenho não precisa ser o mais realista para ser excelente. Da mesma forma, um desenho extremamente realista não será automaticamente o melhor em todas as competições. Tudo depende da proposta, dos critérios e daquilo que está sendo avaliado.
Essa reflexão não pretende diminuir o realismo, tampouco desvalorizar qualquer estilo artístico. Pelo contrário: acredito que compreender a diversidade de linguagens nos permite olhar para a arte com mais profundidade e menos limitações. E cada um tem um gosto.
Há ainda uma questão que considero essencial: participar de um concurso não significa entregar o controle absoluto sobre o destino da nossa obra. Podemos controlar nossas escolhas, nossa preparação, nossa dedicação e a qualidade do trabalho que apresentamos. Não podemos controlar integralmente a interpretação de cada avaliador nem todas as variáveis envolvidas na decisão final.
Isso vale para quem vence e para quem não vence.
Reconhecer essa realidade não significa aceitar qualquer resultado sem questionamentos. A transparência, a coerência com o regulamento e a clareza dos critérios continuam sendo fundamentais para a credibilidade de qualquer competição. Significa apenas compreender que nem toda diferença entre nossa expectativa e o resultado representa, por si só, uma injustiça.
No caso do BIC Art Master 2026, fico com a experiência, com a oportunidade de apresentar meu trabalho e com as reflexões que essa participação me proporcionou. Não conquistar uma premiação não apaga a dedicação investida no desenho, assim como conquistar uma premiação não encerra a trajetória de aprendizado de um artista.
Continuarei estudando, desenhando, experimentando e buscando novas oportunidades. E continuarei acreditando que a arte merece ser discutida com seriedade, tanto em seus aspectos técnicos quanto em suas dimensões criativas e subjetivas.
Compartilho este trabalho não para contestar o resultado, mas para ampliar uma conversa que considero importante para todos nós que desenhamos, participamos de concursos ou trabalhamos na organização de eventos artísticos.
Nem sempre o nosso trabalho será escolhido. Mas podemos aprender a compreender melhor os processos de avaliação sem deixar que um resultado defina o valor daquilo que somos capazes de criar.
Os vencedores
Quero aproveitar e mais uma vez dar os parabéns aos vencedores, afinal foi uma disputa acirrada entre muitos talentos, e claro, cada um com a sua especialidade; seja na criatividade, na técnica apurada, ousadia, enfim, são muitos elementos que poderíamos falar.
A classificação ficou dessa forma:
1º lugar
Ricardo Oliveira Fortes
Os muitos Brasis
2º lugar
Aryson Silva
O ócio de Janu
3º lugar
João Pedro Martins
É tudo nosso
Um ponto a ser melhorado
Um aspecto que merece reflexão é a experiência dos participantes ao longo de um concurso. Durante o BIC Art Master 2026, houveram participantes que relataram dificuldades com o funcionamento do site, através de comentários no Instagram, situação que gerou reclamações e acabou influenciando a percepção de algumas pessoas sobre a experiência como um todo. Na minha experiência, vi como se o site não funcionasse direito em um campo específico, mas não lembro se era nacionalidade ou cidade que não conseguia preencher e dar sequência. Mas após insistir eu acabei conseguindo. Penso que muitos entraram em desespero nessa parte, principalmente nos últimos dias.
É importante distinguir as diferentes dimensões de uma competição. Uma coisa é a avaliação artística propriamente dita, conduzida pelos jurados a partir dos critérios estabelecidos. Outra é a experiência dos participantes com a plataforma, a comunicação e as etapas do processo.
São aspectos diferentes, mas ambos contribuem para a maneira como as pessoas vivenciam um concurso e que representam a marca.
Quando um participante enfrenta dificuldades técnicas, por exemplo, sua experiência pode se tornar frustrante, especialmente quando existe expectativa, dedicação e ansiedade envolvidas. Mesmo quando um problema técnico não tem relação direta com a avaliação das obras, ele pode afetar a percepção geral do evento e gerar dúvidas, insatisfação e questionamentos.
Por isso, acredito que a comunicação transparente e o bom funcionamento das plataformas sejam aspectos importantes para qualquer concurso artístico. Quanto mais clara e acessível for a experiência, maior será a confiança dos participantes no processo. Inclusive eu vi a equipe da empresa responder muitos comentários e tentar a ajudar, e outros que ainda não vi porque provavelmente já estavam na reta final do tempo.
Comento tudo isso também a partir da minha experiência organizando mais de 13 concursos. Quem já esteve do outro lado sabe que organizar uma competição envolve muitas variáveis, decisões e responsabilidades. Nem tudo acontece necessariamente como planejado, e reconhecer essa complexidade não significa ignorar os problemas que possam surgir.
Inclusive já vi esse problema técnico acontecer em outros concursos de desenho, um que até foi postado em nosso site, de uma grande empresa no mercado.
Ao mesmo tempo, ouvir as manifestações dos participantes é uma oportunidade de identificar pontos que podem ser aprimorados em futuras edições.
No fim, um concurso não é feito apenas pelos trabalhos inscritos ou pelos resultados anunciados. Ele também é construído pela confiança, pela comunicação e pela experiência que proporciona a quem decide participar.
Sobre a minha arte
Como tenho costume de desenhar de caneta esferográfica, nem pensei duas vezes e parti para iniciar o conceito do desenho, com a proposta de um “Brasil Junino”, já que o tema era “Mistura do Brasil”. A ideia era ser algo realista, mas usando a criatividade para compor os elementos com algo bem misturado, dado que a festa junina é sem dúvida um sincretismo ferrenho, que, envolve tradições europeias com a brasileira, cores, caracterização rural, rica gastronomia, enfim; é bem sem limites (risos).
A composição do meu desenho envolve traços que inclusive vou detalhar a seguir.
A ideia era usar somente cores da BIC que remetessem a bandeira brasileira: azul, amarelo, verde, e o branco, que logicamente é o próprio papel. No lenço do rapaz há um mapa do brasil. Ambas ideias são para fazer uma alusão às cores da bandeira brasileira.
Nos lenços, laços, remendo, bandeirinhas e balões de papel, a ideia era sempre aproveitar a deixa para usar uma cor da bandeira do Brasil.

Os sorrisos do casal tinham o intuito de passar a positividade da festa junina e a satisfação do casal. Coisa de brasileiro feliz.
Chapéus eram óbvios… sem eles não dá pra falar de festa junina, assim como a estampa xadrez da camisa e o chitão do vestido. Esse último inclusive que é recheado de flores e cores amarelo, azul e verde.
O dente pintado do rapaz é pouco na composição, mas não poderia passar despercebido, pois é um elemento forte que faz diferença.
No fundo você verá a iluminação e bandeirinhas desfocadas, um recurso que ajuda a criar profundidade no desenho.
Participar do BIC Art Master 2026 foi uma oportunidade de apresentar meu trabalho em um contexto que reúne artistas com diferentes repertórios, técnicas e maneiras de compreender a arte. Ao observar minha própria produção e refletir sobre a experiência, percebo que existe uma questão que vai muito além da classificação final: como avaliamos uma obra artística e o que esperamos encontrar quando participamos de um concurso?
Nesta edição, meu trabalho não ficou entre os vencedores. Isso, porém, não encerra minha reflexão sobre a obra, tampouco sobre as possibilidades que os concursos oferecem para quem desenha. Pelo contrário, a experiência me levou a pensar sobre algo que conheço também do outro lado da mesa: a complexidade de organizar competições, estabelecer critérios e avaliar trabalhos produzidos por pessoas com visões artísticas diferentes.
Enfim, não fui selecionado, mas isso não me desestimula, foi mais uma experiência de treinamento diário, tal como posto nos perfis do Desenho Online desenhando a caneta, e que inclusive posteriormente disponibilizo em meu catálogo de artes autorais.
Aos demais participantes do BIC Art Master 2026, independentemente do resultado, deixo meu respeito. Sei que por trás de cada desenho existe tempo, dedicação, expectativas e uma história que nem sempre aparece na imagem final.
E fica uma pergunta para quem vive a arte: quando você participa de um concurso, o que considera mais importante na avaliação de um desenho: domínio técnico, realismo, criatividade, composição, originalidade ou a capacidade de transmitir uma ideia?
Acredito que essa conversa pode nos ajudar a evoluir não apenas como desenhistas, mas também como artistas capazes de compreender diferentes perspectivas.
A arte cresce quando aprendemos a olhar além do nosso próprio ponto de vista.
Sobre as obras vencedoras, você pode conferir diretamente no site oficial, o Bic Art Master. Acesse:
https://bicartmasterbrasil.com.br
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