7 curiosas formas de se estudar desenho fora de casa sem materiais de desenho

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Quando se está a toa na vida, seja em casa, na rua, na zona rural ou em qualquer outro ambiente, e se tem aquela sensação de tédio, muitas vezes queremos que o tempo passe logo, uma fuga que pode parecer natural para alguns, mas que na verdade é fruto de uma paulatina perda de nossa curiosidade, esta última que é inclusive uma virtude muito bem desenvolvida quando éramos crianças…

Mas por quê a esquecemos?

A correria e os compromissos que vamos assumindo com o tempo são a grande desculpa para muitos; mas independentemente do motivo, pois não é essa nossa intenção agora descobrir, temos que tentar resgatá-la, principalmente os desenhistas, pois a curiosidade abre portas para grandes ideias. Uma boa e estratégica forma de fazer isso é também desenvolver formas de se estudar desenho fora de casa sem materiais de desenho, uma prática que com certeza irá não só enriquecer seu aprendizado com o desenho, como também tornar a vida mais interessante. Para isso eu resolvi hoje compartilhar com você 7 dessas práticas, algumas que muitos de nós até já fizemos durante a vida, mas que nem sempre lembramos dessas valiosas pérolas. Então, confira!

1) Observando nuvens

Observar nuvens é uma boa oportunidade de estimular nossa criatividade e principalmente nossa imaginação, seja quando as avistamos de dentro de um imóvel com vista para o céu ou mesmo em um lugar a céu aberto. Como as nuvens estão em constante movimento, e, gerando uma série de formas quando observadas de um determinado ponto, estimulam em nós uma série de interpretações, que nos faz associar cada cada uma dessas formas a uma figura, signo ou símbolo comumente conhecido; fenômeno inclusive conhecido como pareidolia, efeito psicológico que ocorre quando interpretamos imagens ou sons aleatórios como algo distinto ou significativo. Assim podemos enxergar um navio, outra hora um cão, as vezes um dragão; enfim, infinitas formas, que nos revelam à medida que vamos estimulando essa observação.

O importante de promover essa observação é que você irá estimular sua capacidade de imaginação, realizar sínteses, memorizar formas e ampliar sua forma de ver; elementos que serão fundamentais no amadurecimento da sua capacidade de desenhar, principalmente por combinar formas diversas, arranjo que promove no desenhista a chance de conhecer melhor as formas que podem compreender uma determinada figura. Faça disso, portanto, uma constante prática, e verá o resultado à medida que for praticando o desenho, principalmente o desenho de memória.

 

2) Observando a paisagem durante uma viagem

Muita gente gosta de viajar do lado da janela do ônibus, carro ou avião, pelo simples fato de poder contemplar a vista diversificada da paisagem encontrada pelo caminho.

Bom, isso de fato é bacana, porque nos distrai e o acaba se tornando um passatempo, mas também pode ser aproveitada para fazer observações como:

  • Quais tons de verde consigo identificar em um grupo de árvores que estou olhando?
  • Qual a tonalidade que os raios de sol ficam à medida que atravessam a paisagem no nascer e no pôr do sol?
  • Conforme os diferentes horários do dia, os raios do sol que permeiam as nuvens possuem o mesmo tom e cor?
  • Existe alguma diferença entre a tonalidade das cores da paisagem mais próxima da paisagem mais distante?
  • Se houver animais como bois, cabritos, cavalos, ou qualquer outro animal, quais características se pode memorizar para futuramente tentar desenhá-los?

É claro que as questões a serem levantadas dependerão dos objetivos de cada um, mas quanto mais detalhista for, melhor.

3) Observando pessoas em filas

Qualquer espaço que esteja e que haja pessoas circulando, como em filas, ruas, calçadas ou qualquer outro, são uma boa oportunidade para observarmos e tentar levantar dados sobre a figura humana, como: anatomia, expressão corporal, movimento; enfim, qualquer dado importante que enriqueça seu aprendizado. Para isso podemos buscar respostas para questões diversas relacionadas a figura, como por exemplo:

  • Quando as pessoas se locomovem, seus corpos ficam totalmente a prumo ou tendem a inclinar? Se sim, para qual lado?
  • Quais tipos de ângulos são formados em torno dos pontos de articulação dos membros inferiores (entre cocha, perna e pé) durante o andar, que compreende os principais momentos  de um passo?
  • Existem diferenças significativas entre as proporções das mãos de uma pessoa e outra?
  • Quais tons e cores de pele posso encontrar?

Fazer esse tipo de observação com pessoas muito próximas, como as da própria fila que estamos, poderá ser um incômodo para estas últimas, por isso, essa prática funciona melhor com as pessoas que estão mais afastadas, que estão de passagem pelo lugar.

4) Fazendo vídeos ou fotos

Estar diante de uma cena interessante, porém a toa e com um smartphone ou câmera na mão, com certeza é uma boa oportunidade para registrarmos a cena e enriquecer nossas referências, pois posteriormente elas poderão servir de consulta e assim obtermos dados valiosos para os estudos de desenho de tal figura. Sim, as imagens da internet ou mesmo de livros e revistas até são um fonte importante e que comumente as pessoas utilizam, mas tempos que lembrar que à nossa volta há ainda todo um ambiente, meio onde se pode obter informações ainda mais precisas e que vão além da parte visual, pois nos permite acesso a todo um contexto que depois em uma consulta dessas imagens, provavelmente lembrará, ainda que seja alguns detalhes.

Posteriormente você poderá criar um acervo de referências com elas, organizando-o da maneira que achar melhor e funcional, seja separando os vídeos das fotos e principalmente separando-os por categorias, como: animais, minerais, vegetais, humanos, paisagens, ações, expressões, etc..

5) Validando conhecimentos

Em princípio você pode estar diante de incríveis conhecimentos de desenho, seja ao ler um grande livro ou assistir uma incrível aula de desenho, mas se não validá-los no dia a dia poderá não compreendê-los bem, e consequentemente até esquecê-los, um posicionamento que transforma facilmente uma grande riqueza em uma mera informação. Por isso uma boa alternativa é tentar enxergar a aplicabilidade desses conhecimentos não só ao desenhar como principalmente enxergá-la no dia a dia, basta observar, seja ele sobre perspectiva, composição, teoria elementar da cor; enfim, qualquer coisa que lhe permita enxergar as múltiplas aplicações de um determinado conhecimento. Isso pode ser feito de diversas formas, como: encontrar o ponto de fuga de um local perante o ponto que estamos, testando e reforçando assim seus conhecimentos de perspectiva; buscar as principais sombras de um espaço para saber a origem da luz, testando assim seus conhecimentos de luz e sombra; conferir as diferentes proporções do corpo humano, visando conferir se elas batem com seus conhecimentos de anatomia; movimentar sua mão para saber quais tendões e músculos são ativados enquanto se desenha; enfim, qualquer teste que possa reforçar para você aquilo que tenha aprendido, e isso só irá lhe ajudar a reter cada vez mais o que aprendeu, viu ou leu.

6) Observando por diferentes pontos de vista

Além de simplesmente observar pessoas ou qualquer outra coisa, temos que considerar que os diferentes pontos de vista sobre cada um deles nos permite ampliar nossa consciência sobre suas respectivas figuras. Isso consequentemente irá acelerar nossa compreensão sobre a figura estudada, nos revelando inclusive que nem tudo é o que parece, principalmente se nos limitarmos a observá-las por apenas um ponto de vista.

Como podemos aplicar:

  • Tente observar a figura que pretenda em diferentes vistas: frente, trás, lateral esquerda e direita, parte interna, etc.
  • Tente observar e compreender a influência da parte interna sobre a externa, ainda que sem ver com os olhos mas com imaginação. No caso do corpo humano ou de animais, algumas protuberâncias indicam a existência de músculos e ossos, pistas que se cruzam com nossos estudos de anatomia e que assim indicam sua localização durante o movimento; e é por isso que a parte interna reflete na forma externa, como é o caso de músculos do corpo, o esqueleto, veias, etc.
  • O estado emocional de uma pessoa influência na sua expressão corporal? Sim, é claro que influencia, e por isso que uma boa alternativa é descobrir pela observação como isso se reflete na expressão corporal das pessoas.

7) Tome nota de suas observações e insights

Toda observação ou insight que julgarmos válido, tem mais chances de ser realmente retido se de fato tomarmos nota para uma posterior consulta, seja através de um celular, smartphone, ou qualquer outro meio que se possa tomar nota. Leonardo da Vinci mesmo tinha o seu bloco de notas, pois sabia que suas melhores ideias vinham em momentos que ele estava fora de casa ou mesmo distante do seu atelier; e assim tudo era facilmente anotado para futuras consultas.

Estas são apenas algumas práticas, mas com certeza há muitas outras, e que você pode até já estar desenvolvendo. Só não esqueça que isso vale ouro para os desenhistas, pois nos desenvolvem quando as estimulamos.

6 comentários sobre “7 curiosas formas de se estudar desenho fora de casa sem materiais de desenho

  1. Caro Mateus,

    Estou tentando imaginar uma determinada estrutura espacial e gostaria de saber se vc pode me ajudar.

    Quero imaginar uma parede (metálica) com determinada espessura, que não seja totalmente sólida, mas formada por volumes ocos, como se fossem “bolhas” de metal unidas entre si, tal como as bolinhas de uma placa de isopor. Que forma espacial teria cada uma dessas bolhas?

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