Neste post, vamos explorar 20 mudanças profundas que aconteceram no ofício do desenhista após a pandemia, desde o comportamento dos consumidores até o uso de novas ferramentas e formas de renda.
A pandemia de 2020 foi um divisor de águas em praticamente todas as áreas da vida moderna, e o universo do desenho e da ilustração não ficou de fora. Embora o ato de desenhar em si pareça um gesto atemporal e solitário, o contexto em que os desenhistas vivem, trabalham e se expressam passou por uma verdadeira revolução silenciosa.
Antes de seguir é bom mencionar que alguns aspectos do ofício já vinham sofrendo uma adaptação, e assim a pandemia apenas acelerou o processo, pois estavam mais alinhados com a condição ou com o formato que se apresentava se tornar. Então, vamos lá!
1. O boom da arte digital
Com a digitalização acelerada durante a pandemia, muitos artistas tradicionais migraram para o digital. Tablets como o iPad com Procreate ou mesas como Wacom e Huion viraram ferramentas essenciais, permitindo desenhar com liberdade sem sair de casa.
2. Explosão de cursos online
A impossibilidade de realizar cursos presenciais gerou uma avalanche de videoaulas e mentorias digitais. Muitos desenhistas viram nisso uma oportunidade de ensinar, enquanto outros finalmente aprenderam técnicas que antes só eram acessíveis em grandes centros urbanos. Isso dilui a clientela de grandes produtores, principalmente pelas opções de cursos que surgiram.
3. Popularização do portfólio digital
Sites como Behance, ArtStation e até o Instagram passaram a ser mais que vitrines: tornaram-se currículos profissionais. Ter um portfólio online bem organizado deixou de ser uma vantagem para virar uma obrigação.
4. Avanço do trabalho remoto para ilustradores
No mundo a dinâmica de trabalho ficou híbrida, remota por um tempo; mas para os desenhistas que trabalham em estúdios e editoras, acabaram se adaptando e se mantendo ao home office. Isso abriu portas para desenhistas de regiões periféricas ou distantes dos grandes centros, ampliando as chances de trabalhar com empresas nacionais e internacionais.
5. Proliferação de marketplaces de arte
Prints, camisetas, adesivos e artes digitais passaram a ser vendidos diretamente em plataformas como Redbubble, Colab55, Etsy e Mercado Livre. Muitos artistas começaram a viver de suas criações sem depender tanto de clientes fixos.
6. A ascensão dos avatares personalizados
Com a explosão de videoconferências, redes sociais e jogos, muitos passaram a querer avatares personalizados. Isso gerou uma nova demanda para desenhistas que souberam transformar seu traço em identidades visuais únicas. Se antes já havia essa tendência, a necessidade de ser representado em um avatar ficou ainda mais propícia.
7. Live-drawing e streams criativos
Plataformas como Twitch, YouTube e TikTok viram crescer uma nova cena: artistas desenhando ao vivo. O processo criativo se tornou entretenimento, gerando renda com doações, subs e patrocínios.
8. Estresse, bloqueios e o valor da arte terapêutica
O isolamento forçado escancarou o papel do desenho como ferramenta emocional. Muitos descobriram que desenhar é também uma forma de autocuidado. A arte virou válvula de escape para lidar com ansiedade, depressão e solidão. O aumento da busca por livros de colorir, por exemplo, tem uma venda que exemplifica bem isso.
9. Estouro dos webcomics e tirinhas online
O consumo de quadrinhos se deslocou ainda mais para o digital. Plataformas como Webtoon e Tapas cresceram. Tirinhas no Instagram viralizaram. Muitos criadores transformaram seu hobby em carreira produzindo histórias semanais.
10. IA e o começo da polêmica
O uso de inteligência artificial para gerar imagens começou a se popularizar no pós-pandemia, gerando debates acalorados sobre autoria, direitos e originalidade. Muitos desenhistas precisaram se posicionar, adaptar ou defender o valor do trabalho humano. Mas cabe dizer que este processo está em contínuo processo de adaptação por parte das pessoas e dos desenhistas.
11. Colaboração internacional se tornou mais fácil
Antes restrita a poucos artistas com contatos ou fluência, a colaboração com estrangeiros se democratizou. Plataformas como Discord, Fiverr, Upwork e redes sociais quebraram barreiras e aproximaram culturas e estilos diferentes.
12. Mudança na percepção de valor da arte
Com mais pessoas desenhando, também cresceu a percepção de que arte não é só um passatempo. O público passou a ver ilustradores como profissionais legítimos, principalmente quando seus trabalhos ganharam visibilidade na pandemia. Por outro lado, com a IA sendo inserida, algumas pessoas leigas passaram a subestimar o valor real dos desenhistas, usando com afinco a tecnologia para seus projetos, entretanto ainda que tivesse um alto nível de detalhes, perceberam que muitas vezes a inteligência artificial gera imagens problemáticas, sem alinhamento real com a proposta, dado que ainda que o prompt seja bom, a tecnologia não consegue compreender totalmente o raciocínio para executar uma arte alinhada com a proposta do projetos de quem a solicita.
13. Estúdios e editoras repensaram seus modelos
Diversas empresas perceberam que poderiam contratar ilustradores freelancers sob demanda, sem manter grandes equipes presenciais. Isso criou mais oportunidades, mas também mais competitividade.
14. Democratização dos materiais de arte
A popularização do e-commerce facilitou o acesso a materiais de arte (digitais e tradicionais) que antes eram difíceis ou caros. Produtos chineses de qualidade acessível ganharam espaço.
15. A estética “quarentena” influenciou temas e estilos
O cotidiano em casa, os sentimentos de isolamento, os interiores simples e as reflexões existenciais invadiram o conteúdo visual. Desenhos minimalistas, introspectivos ou melancólicos tornaram-se comuns. Ou até mesmo tornando a pandemia vista por uma ótica com um teor cômico, muitas vezes para diminuir o peso da situação e tirar um sarro de nossas limitações.
16. Projetos colaborativos online explodiram
Desafios de arte como o Inktober, Draw This in Your Style e Collabs viraram eventos massivos nas redes. Muitos desenhistas ganharam reconhecimento participando de iniciativas coletivas criativas. Mesmo o Inktober tendo passado por uma antiga polêmica e por um tempo perdido credibilidade.
17. Mais artistas vendendo produtos autorais
Com mais tempo em casa, muitos desenhistas começaram a criar produtos próprios: zines, cadernos, adesivos, chaveiros, livros de colorir, etc. Alguns viraram microempreendedores criativos com lojas próprias.
18. Consumo de arte por assinaturas
Apoio recorrente via plataformas como Apoia.se, Patreon e Catarse cresceu. Muitos artistas começaram a oferecer conteúdos exclusivos para apoiadores, garantindo uma renda mensal.
19. Expansão do ensino infantil e familiar de desenho
Com escolas fechadas e crianças em casa, o desenho virou atividade central para muitos pais e professores. Isso gerou demanda por conteúdos educativos, tutoriais, cursos para crianças e até livros de atividades.
20. Mais consciência sobre saúde mental e ritmo de produção
Antes da pandemia, havia uma romantização da “correria” e da “produtividade a todo custo”. Depois dela, muitos artistas entenderam seus próprios limites, passaram a valorizar o descanso e o equilíbrio entre criar e viver.
O mundo do desenho mudou. Mas mudou para melhor ou para pior?
Depende da perspectiva. Para alguns, o excesso de competição e a chegada das IAs trouxeram angústia. Para outros, o acesso a ferramentas, conhecimento e público nunca foi tão grande. A verdade é que o desenho se tornou ainda mais presente no cotidiano das pessoas, seja como profissão, como hobby ou como forma de conexão.
O pós-pandemia transformou o desenhista num profissional multifacetado: criador, vendedor, comunicador, empreendedor e terapeuta de si mesmo. Quem soube surfar essa onda está construindo uma nova era da ilustração, mais conectada, acessível e, acima de tudo, humana. Mas, e você? Como o seu jeito de desenhar mudou depois da pandemia?
Conta aqui nos comentários ou compartilhe com outros artistas que viveram essa transformação. E se quiser continuar crescendo como desenhista, explore o cursos do Desenho Online e nossos cursos com técnicas SHOUNEN e CHIBI para todos os níveis!

