7 mentalidades errôneas presentes no ofício Desenhista

É comum que algumas mentalidades errôneas do ofício desenhista atrapalhem nosso desempenho, porém nosso papel como profissionais do ofício é justamente removê-las do nosso caminho quando tomarmos consciência delas, até porque elas são como vírus que não só assolam quem as toma como verdade como também se multiplicam. Vamos então falar de algumas delas!

 

1) Apenas reproduzir desenhos quando na verdade se quer aprender a criar

Caso você tenha em mente que reproduzir um desenho pronto é o ponto chave para desenvolver a criação (desenho à mão livre), tome cuidado; isso é importante, mas não é bem  por aí o cerne de aprendizado da criação. Quem reproduz um desenho precisa observar com cautela e critérios, fazer anotações do que observou, ler sínteses de outros desenhista, estudar livros, tentar desenhar apenas de memória, estudar perspectiva, teoria das cores, sombreamento, composição, etc. Sem um método, sua evolução será muito lenta.

 

2) Dedicar-se apenas à parte técnica e deixar os valores de lado

Você pode se tornar muito habilidoso com as técnicas, mas sem se empenhar em conquistar as virtudes que lhe faltam, será um desenhista muito limitado. É claro que todo mundo quando nasce já vem com algumas virtudes desenvolvidas em certa medida; mas cada ramo, cada profissão e atividade demandam certas competências, e que são imprescindíveis para uma boa realização no ofício, pois permeiam cada ação com um sentido específico, seja como amador e principalmente como profissional. Hoje em dia a virtude que virou modinha é a “resiliência”, mas na verdade todas as outras virtudes são necessárias, seja a disciplina, a constância, criatividade, temperança, entre muitas outras. Pesquise sobre o assunto e dê o devido valor a elas, se quiser de fato acelerar seu aprendizado.

 

3) Baixar o preço justo do seu trabalho quando não há procura

Parece atrativo baixar o preço do seu trabalho quando não á procura, mas não é bem por aí que se deve começar, e se logo de cara baixar o preço, pode ter certeza que além de comprometer seu lucro, a tendência é que as pessoas desvalorizem ainda mais seu trabalho e até não cumpram o combinado. Se seu trabalho é bom, nada mais justo que colocar o preço que vale, e se mesmo assim não atrair clientes, prefira rever a forma que divulga ou mesmo toda a imagem do que está oferecendo. Pense inclusive se você está chegando mesmo no público certo em sua divulgações, ou anúncios.

 

4) “Floodar”, fazer “spam” e torrar a paciência ao invés de divulgar

Duas coisas que ferem a paciência das pessoas, e que até geram um efeito bem negativo nas redes sociais é “floodar” ou fazer “spam” na tagline das redes sociais, sendo que o objetivo é divulgar. Muitos desenhistas acham que isso funciona, mas se esquecem de um princípio básico de “concórdia”, ou seja, o que eu não quero para mim, não quero para o outro, e quem é que gosta de publicações que chateiam?! Pois é, mas essas pseudo-divulgações ocorrem com grande frequência em grupos e em posts de fanpages de terceiros, desembocando ainda numa iminente situação pejorativa, pois, quem ver isso vai achar que o desenhista é amador, fazendo os usuários de um grupo ou página se depararem com postagens seguidas ou enchendo o saco com palavras e imagens pouco objetivas. Mas há casos que conseguem ser bem pior, pois além do desenho com as informações de divulgação no post, tem a coragem de comentar na postagem novamente com as mesmas informações.

Outro caso são os desenhistas que torram a paciência de empresas ou pessoas se achando os “super profissionais”. Sim, é tentando que se consegue uma oportunidade, mas é necessário bom senso para não torrar a paciência de quem vai lhe contratar, pois a qualidade do seu trabalho não pode estar muito aquém do que realmente os contratantes precisam. Divulgar demanda bom senso para de fato propagar uma boa imagem de você e de seu trabalho.

 

5) Excesso de “modéstia” para não se autopromover

Se você tem um grande talento e que é adequado para resolver problemas de outras pessoas, você é potencialmente útil a sociedade, principalmente se você gosta de trabalhar com isso; acontece é que outras pessoas precisam saber disso, pois, ninguém vai adivinhar o que você faz se você não dizer, não divulgar. Infelizmente há uma falsa “humildade” hoje em dia, que faz muitas pessoas ficarem quietas no seu canto, reduzindo assim as oportunidades, pois, acreditam que se divulgarem seus talentos, mesmo em uma situação adequada, serão pessoas metidas. Pelo contrário, mostrar nossas qualidades da maneira adequada é sinal de humildade inclusive, e permite aproveitar nosso lado bom e nos disponibilizar para desempenhar tarefas que resolvam problemas de outras pessoas.

Um exemplo bacana de autopromoção a qual estou me referindo é uma carta de Leonardo da Vinci para Ludovico Sforza, o duque de Milão. É claro que não somos tão grandiosos quanto da Vinci, mas serve de inspiração para aquelas nossas qualidades e habilidade que são úteis aos demais. Confira abaixo a tradução da carta:

Carta a Ludovico Sforza“Mas ilustríssimo lorde, tendo agora considerado suficientemente os exemplares de todos aqueles que se proclamam peritos em inventar instrumentos de guerra, e que a invenção e operação dos referidos instrumentos não são nada diferentes dos de uso comum: Eu devo esforçar-me, sem prejuízo de qualquer outra pessoa, para explicar para Vossa Excelência, mostrando meus segredos para Vossa Senhoria, e depois oferecê-los ao seu prazer e aprovação para trabalhar com efeito em momentos oportunos em todas as coisas que, em parte, serão brevemente descritas a seguir.

1 . Eu faço uma espécie de ponte extremamente leve e forte, adaptada para ser mais facilmente transportada, e com a qual você pode perseguir, e em qualquer momento fugir do inimigo; e outras, seguras e indestrutíveis pelo fogo e por batalhas, fácil e conveniente para mover e colocá-las em posição. Também possuo métodos para queimar e destruir as pontes dos inimigos.

2 . Eu sei como, quando um lugar está sitiado, levar água para fora das trincheiras, e fazer uma variedade infinita de pontes, caminhos e escadas, e outras máquinas importantes para tais expedições.

3 . Se, por razão da força ou da elevação de sua posição, seja impossível seguir com o plano de bombardeamento, eu tenho métodos para destruir cada pedra ou outras fortalezas, mesmo elas tenham sido fundadas em uma rocha.

4 . Mais uma vez, Eu tenho diversos tipos de morteiros; mais conveniente e fácil de transportar ; e com esses eu posso atirar pequenas pedras quase semelhante a uma tempestade; e com a fumaça destes causar grande terror ao inimigo, para seu grande prejuízo e confusão.

5 . E se a luta tiver que ser no mar Eu tenho muitos tipos de máquinas mais eficientes de ataque e defesa; e navios que resistem ao ataque das maiores armas de fogo.

6 . Eu tenho meios, através de tortuosos e secretos caminhos, feitos sem ruído, para chegar ao local designado, mesmo que seja necessário passar debaixo de uma trincheira ou um rio.

7 . Eu posso fazer carruagens cobertas, seguras e inatacáveis, que, entrando em contato com o inimigo e sua artilharia, não haveria corpo de homens tão grandes que ela não pudesse quebrar. E por trás destas, a infantaria poderia seguir ilesa e sem qualquer impedimento.

8 . Em caso de necessidade Eu posso fazer grandes armas, morteiros e artilharia refinadas e úteis, diferentes dos tipos comuns.

9 . Quando a operação de bombardeio falhar, Eu poderia inventar catapultas, manganelas, trabucos, e outras máquinas de eficácia maravilhosa e não de uso comum. E, em breve, de acordo com a variedade dos casos, Eu posso inventar vários e intermináveis meios de ataque e defesa.

10 . Em tempos de paz Eu acredito que posso dar satisfação perfeita e igual a qualquer outro em arquitetura e composição de edifícios públicos e privados; e fazer com que a água seja transportada de um lugar para outro

11 . Eu posso realizar esculturas em mármore, bronze, ou barro, e Eu também posso fazer na pintura tudo o que pode ser feito, assim como qualquer outro, seja ele quem for.

Mais uma vez, o cavalo de bronze pode ser tomado na mão, o que irá revestir de glória imortal e eterna a honra da memória do príncipe seu pai e da ilustre casa de Sforza .

E se nenhuma das coisas acima citadas parecer impossível ou inviável de fazer, Eu estou mais do que pronto para fazer os testes em seu parque ou em qualquer lugar que possa agradar a Vossa Excelência – para quem eu me dirijo com toda a humildade possível, etc.”

 

6) Trabalhar mais tempo para tentar ganhar mais

Muitos acreditam que quanto mais trabalharem, maiores serão os rendimentos. Nem sempre é assim! E até pegando exemplos de pessoas que trabalham muito tempo em outras áreas você confirmará mesmo que não é bem assim.

O fruto do seu trabalho é um produto ou serviço; porém, só vai se converter em uma boa grana à medida que você usar sua cabeça para selecionar as maneiras mais otimizadas possíveis para ganhar dinheiro, não essencialmente questão de tempo. É nessas horas inclusive que os estrategistas e amantes da matemática (tanto na teoria quanto na prática) irão largar na frente. Portanto, ganhar dinheiro com desenho será proporcional a sua capacidade de enxergar as melhores opções para rentabilizar seu trabalho, ainda que a qualidade do seu trabalho seja muito boa. Outra coisa, trabalhar muito pode inclusive gerar déficits que estão aparentemente invisíveis, mas que não deixam de minar seus rendimentos. Por exemplo, você pode trabalhar muito por um longo período e torrar sua saúde, e posteriormente ter de gastar muito para recuperá-la depois. Pode trabalhar muito para alguém e receber muito abaixo do que deveria.

 

7) Se iludir com os elogios da fama quando no fundo se quer sucesso profissional

Ilustração de John Holcroft
Ilustração de John Holcroft

A fama cresce à medida que você vai sendo conhecido e comentado, seja através dos que estão falando bem ou falando mal. De fato ela é um recurso bem poderoso para disseminar sua imagem; mas, como isso lhe ajudará alcançar o sucesso profissional? Se quer mesmo fazer sucesso, alcançar seu objetivo como desenhista profissional, não serão necessariamente todos os elogios, curtidas de leigos ou de qualquer pessoa que irão medir seu sucesso, mas um elogio e reconhecimento de quem entende e a solicitação de quem enxergou o real valor do seu trabalho, principalmente os resultados. Sem esses critérios você irá ser iludido por medidas genéricas; bajulação dos que querem um desenho de graça; convencido pelos que gostam mais da sua personalidade e nem tanto do seu trabalho; feedback raso dos amigos que não querem te desmotivar com uma possível crítica a seu trabalho, etc. Há circunstâncias inclusive que maquiam nossos resultados, basta olhar com um olhar sincero que você verá.

A vaidade é um veneno, e se potencializa à medida que vamos dando espaço a ela; portanto, meça seu sucesso pelo que realmente esta gerando em resultados, e não se iluda com as aparentes aparências.

 

Por hoje é só, e espero que tenha gostado deste post. Até mais!

Sobre o Autor

Um curioso aspirante da filosofia que curte aprender um pouco de tudo, seja de ciência, arte, religião ou filosofia. Artista Plástico, Designer Gráfico e Blogueiro há mais de 7 anos.

http://www.desenhoonline.com

2 comentários

Escreva um comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *